Sunday, July 30, 2006

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Saturday, July 29, 2006

 UMA COISA É UMA COISA, OUTRA COISA É OUTRA COISA 07.25.06

Alegria do povo; Gigante no esporte bretão; Um por todos e todos por um; Além de ser ou não ser o primeiro; Religião de janeiro a janeiro; Minha vida, minha história, meu amor; Raça e tradição.

Corintiano-maloqueiro-sofredor acorda soterrado em problemas. O elenco é digno de “seleção”, mas não joga nem o “arroz cum fejão”; Agüenta o vizinho que até ontem parecia nem gostar de futebol, mas a cada rodada estampa na face infinita alegria futebolística; Lê que aquele dirigente sumido apareceu, sem soluções e botando mais lenha na fogueira; aliás, ler é seu pior veneno - o Corinthians de cada dia alimenta o povo e as especulações sem fundamento.

Pra coroar a então “desorganizada” torcida, quem diria, esquece de seu amor - até o fim – e vaia antes do apito, o ídolo, mas não o patrocinador. Falta um pouco de coerência, né não?

É, como vocês sabem, e bem dizia Vicente Matheus: “O dificil, não é fácil”.

Saravá.

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Wednesday, July 19, 2006

INSÔNIA 18.07.06

Semana passada enquanto escrevia essa coluna, minha irmã, que hoje mora na Austrália, lamentava a vergonhosa Seleção Canarinho. Enfurecida, contei a ela que estava no mesmo instante escrevendo e remoendo o fato de o Corinthians ser um reflexo do Brasil. Indignada, me mandou na lata: Vã, o Corinthians tá perdendo sem lutar??????????!!!!!!!!!! (Desse jeito aí, no msn, sem por nem tirar). Sim, está.

Taí uma coisa pela qual minha vó Maria não passou! Ver um bando de pançudos insossos representando nosso Coringão. Jogadores, presidente, diretor, técnico, tudo farinha do mesmo saco, um bando de folgado vomitando desculpas esfarrapadas pra todo lado. Quando um clássico alvinegro teve público inferior a 20 mil? Evidente, não é o Corinthians que está ali, percebem?

O grande culpado, que me condena a eterno disco riscado, é o empresário ignorante-aparecido-desaparecido. Ignorante é a palavra, pois não entende, nunca entendeu, nem de futebol, nem de Corinthians. No futebol a aritimética é outra. A gana exacerbada do iraniano pela Taça Libertadores nada tem a ver com a vontade de ver o Timão mais uma vez em seu lugar de campeão. O resultado, claro, não poderia ser o título. E culminou na partida mais vergonhosa que já pude presenciar. Um virada em pleno Pacaembú lotado, sem luta, sem raça, sem Timão.

Com Kia no comando, e Dualibi de braços cruzados: perdemos a Copa do Brasil mais ganha de todos os tempos, norteados pela má vontade de Passarela e o oportuno estrelismo de Roger – que podia ter ali pego seu chinelinho e voltado pro Leblon; Aplaudimos de pé Ricardinho – o hipócrita – sair cuspindo pra cima, passar por outros dois clubes paulistas, e voltar dizendo que “enfim voltava pra casa”; Fingimos não ver que nosso maior ídolo, em plena forma, foi impedido até de treinar no PSJ.

Quando foi que o herói Corinthians abriu mão de seus valores por um título? Ser Corinthians, saravá, está muito além disso. Os títulos sempre foram conseqüência, parte da trajetória do herói que luta – até o fim. Quantas derrotas seguidas? Quantos pontos perdidos? Nem um número merece ser citado aqui. Insignificantes diante do crime que é termos de presenciar, impotentes, o gigante Corinthians adormecer.

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Thursday, July 13, 2006

VOLTANDO AO QUE INTERESSA 07.11.06

Acabou a Copa. Que saudades do Curinthiá.

O desleixo dessa Seleção 2006, que evitando a redundância não comentarei aqui, é proporcional à falta que nos faz o Corinthians de cada dia. E, principalmente, do herói Corinthians que, neste ano, dele pouco se viu. Raros foram os jogos em que se fez jus à nação, alvinegra.

É impressionante como o Corinthians é o nítido reflexo do país.

Sim: és do Brasil o clube mais brasileiro, e no cenário de hoje, mais do que nunca, não restam dúvidas. Tudo o que passou o corintiano na última Libertadores passou o brasileiro nessa Copa. Devidas proporções, é claro, o Timão é infinitamente mais importante na vida do corintiano do que a Seleção para qualquer brasileiro.

Vergonha mesmo, cravada na alma, passou pela porta alvinegra, diante de nosso Pacaembú e meia dúzia de galinhas argentinas. Não se pode deixar que um mosqueteiro sequer se esqueça disso. É o Corinthians um time de estrelas, e pouco futebol, sob o manto sagrado?

Mascherano no Atlético de Madri, Ricardinho no Machester United (olha a finta!), Carlitos no Sevilla, Geninho fica, Geninho vai… tem muito jogador preguiçoso escondido atrás desse blá-blá-blá. E domingo tem clássico, percebem?

Que os que vestem nossa segunda pele tenham assistido a cada segundo do fiasco Canarinho e tirado suas lições. Que o fim da era “salto-alto-chinelinho” seja decretado por aqui. Jogador de mão na cintura, discurso pronto, cheio da grana e vazio de bola, ou arrumador de meias não ouse pisar em nossos gramados. Fúria alvinegra pra cima deles.

Raça Timão, você é tradição.

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Sunday, July 9, 2006

FALA QUE EU TE ESCUTO 06.20.06

Copa do Mundo é um banquete. Feriado como esse, com três jogos por dia, não tem coisa melhor. Acorda, tem jogo, pausa de uma hora pra dar uma de técnico, reclamar de “barriga cheia” e já tem jogo de novo, um deleite. Até consola a falta que nos faz o Corinthians de cada dia.

Entre os jogos, a cobertura completa de todos os canais, mais de 400 jornalistas brasileiros fomentando máterias, mesas redondas, blogs, narrando, entrevistando, comentando… torcendo, palpitando.

Num desses canais “de cobertura completa” se reconhece um fato interessante. Além dos tradicionais profissoinais da àrea “dos palpites”, há sempre dois jogadores: um da Seleção Canarinho, outro da Seleção Alvinegra. Justo e eficiente, nações representadas, audiência e satisfação garantida. Roger, quem diría, é o representante Fiel. Análises brilhantes, comentários humildes e bem humorados.

Chega a assustar tamanha incoerência. O mesmo jogador que se fantasia de cone em meio campo mosqueteiro, que não joga 90 minutos porque se cansa, que não bate pênalti porque não treina, que sai mais cedo do treino pra ver a namorada, que deu showzinho dizendo que iria sair se não fosse titular (como se alguém já o fosse contratar), que tantas ausências protagonizou… ao analizar a Seleção Brasileira é implacável.

O menino do Rio constatou que é impossível se vencer uma defesa sem que os jogadores se movimentem bem; elogiou o Fenômeno em lance que ele soube reter a bola até o momento exato, atraindo os zagueiros e passando para o companheiro livre; apontou a necessidade de se posicionar, de assumir responsabilidades, de se empenhar e, pasmem, de ouvir seu treinador.

Tsc, tsc, tsc. Seria interessante que tanto conhecimento futebolístico de um jogador aparecesse, principalmente, em campo. Enquanto isso, mais uma vez se misturam as lutas travadas pelas nações Brasileira e Corintiana, que clamam por seus reservas: a Canarinho por Juninho e a Alvinegra por Marcelinho.

ps. Dá-lhe Carlitos!

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PÁTRIA DE CHUTEIRAS: ALVINEGRAS 06.13.06

Indispensáveis a qualquer seleção, os mosqueteiros deixam sua marca nas estrelas canarinhas. Vamos a eles.

Copas de 58, Suécia, e 62, Chile. Duas estrelas seguidas e numa tacada só, pois se manteve, praticamente, o mesmo time: o campeão. A chuteira alvinegra é de Gilmar dos Santos Neves: Goleiro. Do Jabaquara para o Corinthians, do Corinthians à Seleção. Campeão Paulista e Bi do Torneio Rio-São Paulo, Gilmar ganhou os corações corintianos e a número 1 da Seleção. Predestinados são os alvinegros: o único goleiro do país a ter conquistado dois títulos em Copas do Mundo como titular chegou a ter seu nome incluído na lista dos dez maiores goleiros do mundo por Lev Yashin (o Aranha Negra, lendário goleiro da ex-União Soviética). Em 58 brilhou como tinha de ser, tomou o primeiro gol somente na semifinal, ainda assim do francês Just Fontaine - o maior artilheiro em uma única copa. Em 62 não foi diferente, apenas os donos da casa fizeram dois gols em Gilmar, num Brasil 4 x 2 - importante lembrar. Ágil como poucos. Leal, fiel, dentro e fora do campo.

Copa de 70, México, a terceira estrela. De chuteiras alvinegras: Rivelino, o Reizinho do Parque, na Seleção era a “patada atômica”. O primeiro gol canarinho veio de seu impagável pé esquerdo. Contra a Tchecoslováquia, em mais uma de suas precisas cobranças de falta, o menino empatou o jogo e abriu a porteira: Brasil 4 x 1. Depois, pela semifinal, ele também marcaria presença. Foi de nosso mosqueteiro o terceiro e fulminante gol da partida que finalmente colocava o adversário de 50 em seu devido lugar: o ex-fantasma Uruguai. Dá-lhe Riva!

Copa de 94, EUA, tupiniquins tetracampeões. A chuteira alvinegra era dele, o matador, sorte de uma bola nos pés de Viola. A quarta estrela foi quase burocrática, das eliminatórias à final, 0 x 0 sofrido, contra a Itália de Baggio (o “lesado”), a teimosia de nosso treinador imperou… Mas os quinze minutos da prorrogação em que Viola esteve em campo foram infinitos minutos de belo e alvinegro futebol.

Copa de 2002, Coréia do Sul e Japão. O pentacampeonato. As chuteiras alvinegras eram de Dida, Ricardinho e Vampeta. Elas não eram titulares, mas foram, mais uma vez, fundamentais. A quinta estrela começou lá em 99, quando o Brasil ganhou a Copa América e formou seu time, com Dida titular absoluto do Timão e da Seleção. Ricardinho entrou em três dos sete jogos, reserva mais que presente. Vampeta jogou na estréia, sem tremedeira, contra a Turquia, num 2 x 1 sofrido de virada. Teve também aquela sua cambalhota…

Alemanha, 2006. Ricardinho e Dida são hoje as chuteiras alvinegras e canarinhas. Ricardinho uma incógnita, antes lá que no Timão! E sim, não esqueçam que Dida é, pra sempre, do Timão – erRaí que o que diga. De Parreira – que também sempre agradece seu posto ao Corinthians – antes da escalação, uma das poucas certezas: Dida no gol.

Ah, claro, nessa copa tem também nossas chuteiras alvinegras de Carlitos e Mascherano. Sinceramente, justiça seja feita: que a Argentina volte pra casa cedinho cedinho e que o Corinthians seja pentacampeão. Né não?

Posted by Vã Malocca* at 07:10:36 | Permalink | No Comments »

OLHA QUEM ESTÁ FALANDO 06.06.06

Em certo canto de Sampa o profissionalismo dirigente do time do Morumbi e do vaidoso mineiro é apontado como a solução da continuidade futebolística nacional. Um radialista foi taxativo: se eu fosse jogador de futebol, no Brasil só aceitaria jogar lá, onde há infra-estrutura e condições profissionais de treinamento.

Em um outro canto de Sampa, no bairro da Liberdade, em um modesto estabelecimento, de mesas e cadeiras doadas pelo refrigerante, dono-garçon-cozinheiro anota os pedidos a mão, veste avental de chita, e serve o melhor pastel da cidade – capital gastronômica do Brasil.

Zé Maria trocaria a conquista do título de 77 por uma Jules Rimet? Não. Ronaldo Fenômeno pensa em terminar sua carreira no vaidoso mineiro, que o revelou? Não. A perfeita infra-estrutura é o único atrativo de um clube para um jogador de futebol? Não. Carlitos trocaria uma estréia em estádio alvinegro abarrotado por uma massagem no Morumbi? Não.

A diretoria do Corinthians é a medíocre mistura de ociosidade e incompetência. A parceira MSI é, sem dúvida, imatura e pouco conhecedora do futebol brasileiro. Foi incapaz de prever que ficar um quarto do Campeonato Brasileiro sem nossas maiores estrelas pode ser desastroso – bate na madeira. Nada para se orgulhar. Daí a dizer que existe um “modelo Morumbi” a se seguir beira à inocência.

Imagina o quanto motiva um jogador fazer um gol pela Libertadores em um estádio semi-vazio? Fato verídico: no ano passado o profissional time do Morumbi só encheu seu estádio na final da competição. Tem mais. A maior alegria de Raí sempre foi, por ele assumida, jogar contra o Timão. O artilheiro atual desse insosso tricolor é um goleiro. Se contentem eles, ao Corinthians cabe um matador, percebem?

Nunca esses times apáticos nos servirão de modelo, a não ser de oposição. No parque São Jorge, ao time da Fiel, há que se procurar – urgentemente - outra solução. Uma diretoria que seja eficiente em prol dos princípios: raça e tradição. Valores que inexistem a esses times tão eficientes, porém tediosos-de-plantão. Não é à toa que, ainda assim, é o alvinegro o campeão dos campeões.

Um time que não inflama seus jogadores nem sua própria torcida, aos olhos alvinegros, não deu certo. Nada que esses times de prateleira façam pode ter resultado em nossa Nação. Quem afirma isso, certeza, nunca comeu pastel da Liba, né não?

Posted by Vã Malocca* at 07:08:02 | Permalink | No Comments »

MAIS KIA, MENOS KIA, TIMÃO SEMPRE TIMÃO 05.30.06

Semana passada a revista americana Time noticiou o início de uma revolução no futebol brasileiro, a salvação para a nação corintiana e canarinha: “Kia Joorabchian, 33, um amável britânico nascido no Irã, o novo jogador brasileiro”. A matéria, assinada por Andrew Downie de São Paulo, é uma lição de como se pode dizer muitas verdades para calcar uma grande mentira.

O texto começa explicando que no campeonato Brasileiro jogadores mal pagos se exibem em estádios vazios, mas que, desde 2005, existe uma exceção: o Corinthians de kia. Hoje o time seria saudado no Pacaembú por 35.000 descamisados porque o investidor realizou seu objetivo de salvar o clube, senão o próprio campeonato.

Diz que desde que Kia assumiu o controle, o público pagante triplicou e chove dinheiro promocional. Conta que o investimento inicial de U$40 milhões - com a contratação milionária de Carlitos e outros craques - já se pagou com o título brasileiro: a primeira vez em seis anos. E (olha que incrível) sua estratégia produziu mais que isso: pode ter estabelecido um modelo de negócio capaz de salvar o futebol profissional no Brasil - afundado em corrupção, violência, administração arcaica e uma hemorragia de talentos para Europa e Ásia. Nas palavras do próprio: “Nós acreditamos que o futebol do Brasil como um todo está sub-avaliado”.

O amável iraniano conta também que chegou ao Brasil procurando comprar uma distribuidora de mídia, mas que depois de observar o Timão decidiu que esportes era uma aposta melhor. O clube estaria desesperado por um benfeitor. Apesar de ter 24 milhões de torcedores, atraía menos de 10.000 pessoas na maior parte dos jogos e tinha um fluxo de receita de um décimo do que o Manchester acumula anualmente.

Antes de finalizar, Andrew apontou dois pequenos problemas: o presidente Dualib, que especulava que Kia tinha conexões com um russo procurado sob a alegação de fraude financeira, e a eliminação da Copa Libertadores, o que levou a violentos protestos dos torcedores. Mas Joorabchian já havia estabelecido uma nova direção.

Cá entre nós, o campeonato Brasileiro é mesmo desorganizado com jogadores mal pagos e estádios vazios. Mas isso não mudou com a chegada de Kia – eles continuam assim. E o Corinthians, evidente, outras zilhões de vezes lotou o Pacaembú.

O Corinthians, e acredito que muito clube brasileiro, estava e continua desesperado por um parceiro. A MSI em nenhum momento pensou nos cofres do clube - quem ganha com a entrada e saída desses milhões não é o Timão. Que continua a vender seus craques para qualquer lugar do mundo.

A conquista da Libertadores, único feito que o Corinthians ainda não atingiu, provou sim, que não depende de Kia e ainda que ele pode atrapalhar. Cheio de dinheiro no bolso o parceiro não conseguiu montar uma zaga decente; largou a equipe sem técnico em plena competição; e ainda deixou o maior ídolo, Marcelinho, por rixa pessoal com Dualibi, esperando por uma chance de mostrar em campo quem é que entende de futebol e de Corinthians.

As verdades nós já sabíamos. A grande mentira é o amável-investidor-salvador.

Posted by Vã Malocca* at 07:03:57 | Permalink | No Comments »

CORINTHIANS DE A a Z: PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO 05.23.06

A mor incondicional. Existe: pelo Corinthians.

B ambi: neologismo criado por Vampeta para designar times cujos atletas são extremamente delicados.

C oringão: como a carta de baralho, o coringa e o Coringão preenchem qualquer vazio. Uma vez Corinthians, felicidade completa.

D emocracia Corintiana: maior movimento sócio-político da história do esporte em todo o mundo. Fortalecidos pelo manto sagrado e sua imensa torcida, em pleno regime militar: Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon convocam a nação brasileira à luta pela democracia.

E mbaixadinhas do Edílson: assim que sentiu concretizada a supremacia alvinegra em campo, Edílson, entediado, disparou a fazer embaixadas. Bizarramente essas foram consideradas criminosas, intriga da oposição.

F iel: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, ainda que a morte os separe.

G aviões da Fiel: grupo de Fiéis que se uniu para garantir que quem dirige o Todo-poderoso o mantenha em seu lugar - acima do bem e do mal.

H erói: clube de operários fundado em uma barbearia, o herói Corinthians enfrenta e vence todas adversidades, uma a uma. No campo e na vida, orgulho da nação.

I nvasão Corintiana, o maior deslocamento humano em tempos de paz. Mais de 70 mil corintianos invadem o Rio e o Maracanã, em pleno jejum, impagáveis.

J uiz ladrão. Sim, porque o Corinthians nunca perde, o juiz é que rouba! Se tivesse dado aqueles justos trinta segundos a mais teria virado o placar!

K ia Joorabchian: egos à parte, o empresário foi um dos responsáveis pela ‘corintianização’ da Argentina.

L ealdade inerente. Um por todos e todos por um.

M ultiplicação. Aos Fiéis foi dado o dom da multiplicação. Brotam no asfalto de Sampa. Um fenômeno ‘gremiling’.

N unca desiste. Afinal: “És do Brasil o clube mais brasileiro”.

O diado. O Corinthians é um divisor de águas, o Michelângelo do esporte e da religião. Pós Corinthians existem apenas dois tipos de torcedores: os corintianos e os anti-corintianos.

P acaembú: ao time da cidade, o estádio da cidade.

Q uestão de tempo, a profecia do Hino se concretizou: “Campeão dos Campeões”.

R ecordista, exímio goleador, matador: Cláudio Cristóvam, 306 gols alvinegros.

S ofredor. O conceito é bem simples: o Fiel é capaz de enfrentar todas adversidades e vencê-las, sem temor, dúvida ou cansaço.

T imão. O apelido é óbvio: existem times e times, e existe o Timão.

U h! Marcelinho! Grito catártico em homenagem ao maior ídolo: excelência técnica, amor e raça. O Timão fez Pé-de-anjo à sua semelhança: o mais amado e odiado do Brasil.

V icente Matheus, presidente e filósofo: “Comigo ou sem migo o Corinthians será campeão”.

W lademir: Deus que vive entre os humanos a fim de propagar ideais corintianos, irresistível ultrapassou todos os limites, até troféu do rival recebeu.

X odó da Fiel, José Ferreira Neto, Neto. Habilidoso maloqueiro, liderou e levou a nação ao primeiro título Brasileiro. Eterno.

Z é Maria dos pés desse guerreiro saiu o gol de Basílio, em 77: “Para mim, em termos de torcida, de expectativa, de entusiasmo, essa conquista foi mais importante do que a Copa de 70 e todas as outras Copas em que fui convocado”.

* Mil outros poderiam ser escritos. Alvinegro infinito, jus lhe seja feito.

ps. Quanto aos e-mails e comentários à coluna:

B asílio. Sim é mais que justa a correção. Mas Vampeta tem seus méritos, e me tirou o foco, por ter sempre colocado o Corinthians, e seus adversários, em seu devido lugar.

B eijo alvinegro, Vã Malocca*

 

Posted by Vã Malocca* at 07:00:25 | Permalink | Comments (1) »

DEFEITO MORAL 05.16.06

Sexta-feira, após terem enfrentado bravamente torcedores que tentaram invadir o gramado do Pacaembú, onze policiais receberam merecidas medalhas.

Torcedor, desafio recente parte I: Poucas horas precedem infinitos 7×1. O torcedor caminha em direção ao Pacaembú e ainda na Av. Paulista se lembra de que a torcida adversária seria acomodada no Tobogã. Para evitar indesejável encontro pergunta a policiais que ali estavam qual o melhor caminho a seguir. Prontamente um deles olha para ele de cima para baixo e brada: Que você está querendo, hein? Estarrecido com tamanha ‘boa intenção’ ele caminha atento e duas quadras depois avista a tal torcida. Corre para lanchonete próxima e aguarda que se afastem - ufa, segue em frente.

Mesmo assim torcedor, desafio parte II: Campeonato Brasileiro, contra um time do sul, mais uma vez está ele nos portões do Pacaembú. Eis que as catracas resolvem cuspir o ‘ingresso fácil’ e a confusão se instala. O tempo vai passando, jogo rolando. As pessoas ainda na fila, já impacientes, calor torrencial, empurra-empurra… Começam a berrar: - Vergonha! Vergonha! A cavalaria se incomoda com os gritos e avança em sua direção… Correria, desespero, empurrões, pisões… Alguém lhe cutuca e aponta as mãos dos policiais: espadas!

Ainda torcedor, desafio parte III: Libertadores, oitavas de final. Passou por filas imensas, cambistas, congestionamento, mas ele está novamente por lá, heróico alvinegro, ingresso na mão. Dirige-se ao lugar de sempre e, no caminho, toma de entrada uma ‘cacetadinha involuntária’ bem na boca do estômago vazio. Primeiro tempo, 1×0 pro Timão, alegria do povo. Num é que a dor até passou?

Segundo tempo, virada adversária com gol contra e sem vergonha, centenas de torcedores se revoltam, sacodem o alambrado e o cadeado estoura. Corajosos policiais dominam a situação. Fim? Não. Os mesmos policiais continuam a atirar a esmo, arquibancada, cadeira, numerada, sem olhar a quem: tiros de borracha e bombas de ‘efeito moral’ – de gás lacrimogêneo. Lágrimas, tontura, respiração dificultada, corre-se sem ter pra onde correr. Fim? Não.

Uma hora depois, o torcedor tenta ir embora. A praça parece deserta, pouca iluminação… Mais correria. Também lá fora os policiais continuam atirando. A menina ao lado toma um tiro de borracha na perna e sangrando cai no chão. O torcedor desnorteado se esconde atrás da banca. Tenta atravessar rápido, ir embora. Farol fechado. Outra bomba estoura bem no meio da rua, mais tiros, corre-corre, outras mãos e pernas sangrando, gritos, choro… Só quer ir embora. Fim?

Persiste torcedor e aguarda que a justiça um dia seja feita. Punição aos que merecem, respeito aos que torcem. Continua pagando pela preconceituosa generalização, rotulados marginais por antecipação.

É, torcedor: filas imensas, ingresso nada fácil, salário suado na mão de cambista, virada vergonhosa (sem importância pra quem está com a cabeça na seleção), tiros de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, espadas e cacetetes, correria, lágrimas… Pelo Corinthians, com muito amor, até o fim. Acho que merece uma medalha, né não?

Fabricantes revêem classificação de gás lacrimogêneo:
[
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2001/06/2505.shtml ]

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