Em nosso último jogo contra o Bragantino, um lance cara a cara com o goleiro parou no apito de um impedimento que não ocorreu. Além desse, muitos outros equívocos aconteceram. Tá na regra, tá impedido e fim de papo?
Cientificamente já ficou provado que o olho humano não é capaz de determinar corretamente o impedimento em distâncias de menos de 1 metro. Uma limitação física, não moral. A última mudança na regra do impedimento requer ainda mais precisão: o bandeira, além de estar de olho no lance, na hora certa do passe, tem de saber para qual jogador a bola irá se dirigir, e assim determinar quais jogadores estão impedidos, ou não.
Pense no lance do Ronaldinho Gaucho, que aparece na propaganda de uma marca de chuteiras, onde ele, do alto de seu talento, atrai a atenção de todos para um lado e lança a bola para o atacante que está sozinho do outro. Se nem mesmo o atacante achava que iria ser lançado, imagina a situação do bandeira… Sem falar na do goleiro, que vê o lance de frente, e todos parecem estar em mesma posição, de ataque.
A regra ainda frisa: em caso de dúvida, pró ataque. Na prática, o oposto acontece. É muito mais fácil dar o impedimento, parar um lance antes que o gol aconteça - pois ainda fica a dúvida de que se ele iria mesmo acontecer - do que deixar correr um lance duvidoso em meio a técnicos, zagueiros e torcedores aos berros por suposta infração. Sem mencionar o espaço que fica aberto à corrupção…
Na história, muitas equipes ficaram famosas por suas impecáveis linhas de impedimento, um balé perfeito que coloca o atacante “despreparado” em deprimente situação. Carrosséis da disciplina e da coletividade. A regra também brinda e protege os zagueiros que, pobres, se sozinhos com um atacante, seriam execrados por antecipação.
Quase todos os esportes renovam anualmente suas regras. Já no futebol, calcadas na máxima da “caixinha de surpresas”, elas permanecem quase intactas, sem muita discussão. Apaixonados - boleiros - ainda somos, mas temos de admitir: a regra do impedimento está clamando por uma reflexão, né não?